No dia 01/11/2025, tive o privilégio de participar de um evento exclusivo que apresentou ao mundo o Iptacopana (Fabhalta), o mais novo avanço no tratamento da glomerulopatia por C3 (C3G) — uma doença renal rara, grave e mediada pelo sistema complemento.
Foi uma excelente oportunidade para aprofundar conhecimentos, discutir casos clínicos e trocar experiências com especialistas internacionais em doenças renais.


O que é a glomerulopatia por C3?

A glomerulopatia por C3 é uma doença renal rara causada por um desequilíbrio no sistema complemento, um conjunto de proteínas que fazem parte da imunidade inata e ajudam o organismo a se defender de infecções.

Quando esse sistema passa a funcionar de forma desregulada, ocorre ativação contínua do complemento — especialmente da via alternativa — levando à inflamação e ao acúmulo de fragmentos de C3 nos glomérulos, que são os filtros dos rins.

Com o tempo, isso provoca lesão renal progressiva.


Causas e fatores envolvidos

A desregulação do complemento pode acontecer por:

  • Autoanticorpos que impedem o sistema de “desligar”;
  • Alterações genéticas em proteínas que deveriam regular o complemento.

Ambos levam ao excesso de ativação e ao dano renal contínuo.


Quais são os sintomas da C3G?

A doença pode aparecer em pessoas de qualquer idade e costuma ser um desafio diagnóstico. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Hipertensão arterial
  • Inchaço (edema)
  • Aumento da creatinina
  • Sangue e proteína na urina
  • Risco de insuficiência renal crônica

Cerca de 50% dos pacientes evoluem para insuficiência renal com necessidade de diálise ou transplante renal em até 10 anos, especialmente sem tratamento adequado.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico definitivo da C3G é feito por biópsia renal, que identifica os depósitos de C3 nos glomérulos.
Por isso, é essencial que pacientes com alterações na creatinina, proteinúria ou hematúria procurem avaliação com nefrologista o quanto antes.


Iptacopana (Fabhalta): uma nova era no tratamento da C3G

O Iptacopan é um inibidor oral do fator B, aprovado pela FDA em 2025 e mais recentemente pela Anvisa, sendo atualmente o único medicamento aprovado no Brasil para o tratamento da glomerulopatia por C3.

Ele atua bloqueando a formação da C3 convertase, reduzindo a ativação da via alternativa do complemento e diminuindo a deposição de C3 nos rins.

Principais benefícios já demonstrados:

  • Redução significativa da proteinúria
  • Estabilização da função renal
  • Melhor perfil de segurança
  • Potencial para mudar o curso da doença e reduzir a progressão para insuficiência renal terminal

Esse medicamento representa um marco no tratamento da C3G e abre caminho para abordagens mais específicas e eficazes para doenças renais raras.


Perspectivas futuras

Outros inibidores do complemento, como o pegcetacoplan, seguem em estudo, mas ainda não possuem aprovação no Brasil.


Quando procurar um nefrologista?

Se você tem alterações na creatinina, pressão alta, inchaço ou exame de urina com proteína ou sangue, é fundamental agendar uma consulta com nefrologista para avaliação detalhada e diagnóstico precoce.

A intervenção especializada pode evitar complicações e preservar a função dos rins.

Está preocupado com sua saúde renal?

Se identificou com algum sintoma ou dúvida no artigo? A Dra. Ana Elisa oferece consultas personalizadas para avaliar sua saúde renal com cuidado e expertise.