No dia 15/11/25, tive a honra de participar de um evento exclusivo de lançamento do Avacopana, o mais novo medicamento aprovado para o tratamento das vasculites associadas ao ANCA. 🌟
O encontro reuniu especialistas renomados de vários países e proporcionou um ambiente riquíssimo para aprendizado, discussão de casos reais, atualização científica e troca de experiências — especialmente para quem, como eu, acompanha de perto os desafios desses pacientes.
🩸 O que são as vasculites associadas ao ANCA?
As vasculites ANCA são doenças autoimunes em que o sistema imunológico, que deveria proteger o organismo, passa a atacar os pequenos vasos sanguíneos.
Por razões que envolvem tanto predisposição genética quanto fatores ambientais, o corpo começa a produzir anticorpos chamados ANCA, que se ligam aos neutrófilos, células importantes da defesa.
Quando isso acontece, esses neutrófilos ficam hiperativados e liberam substâncias inflamatórias potentes, formando inclusive as chamadas NETs — estruturas que normalmente serviriam para capturar microrganismos, mas que, nesse contexto, acabam danificando os vasos sanguíneos.
O sistema complemento também é ativado e amplifica ainda mais a inflamação, criando um ciclo contínuo de agressão aos tecidos.
🔬 Efeitos nos órgãos: por que os rins sofrem tanto?
Nos rins, esse processo inflamatório intenso leva a uma forma grave de lesão chamada glomerulonefrite necrosante e crescêntica, uma emergência nefrológica que pode evoluir rapidamente para insuficiência renal.
Os pulmões e as vias aéreas superiores também podem ser acometidos, provocando desde sinusites de repetição até quadros pulmonares graves.
💊 Avacopana: um avanço esperado no tratamento das vasculites ANCA
O Avacopana é um medicamento oral que atua como antagonista do receptor C5a, uma molécula-chave do sistema complemento e uma das principais responsáveis por perpetuar a inflamação nas vasculites ANCA.
No estudo ADVOCATE (NEJM, 2021), o Avacopana demonstrou:
- eficácia semelhante ou superior à prednisona para remissão sustentada,
- melhor perfil de segurança,
- benefício renal significativo,
- e redução da necessidade de altas doses de corticoide.
Trata-se de um passo importante rumo a tratamentos mais eficazes e menos tóxicos — especialmente para pacientes que já enfrentam tantas complicações.









