O que é a nefropatia por IgA?
A nefropatia por IgA é a glomerulopatia primária mais frequente no mundo. Ela ocorre quando depósitos de imunoglobulina A (IgA) — um anticorpo produzido normalmente pelo organismo — se acumulam no glomérulo, a estrutura responsável pela filtração do sangue dentro do rim. Esses depósitos desencadeiam inflamação local, que ao longo do tempo pode lesionar o tecido renal.O curioso é que essa doença frequentemente aparece depois de uma infecção de vias aéreas superiores — aquela gripe ou amigdalite que todo mundo trata em casa. Dias depois, a urina fica avermelhada. Esse episódio, chamado de hematúria sinfaringítica, é uma marca clássica da nefropatia por IgA.
Como ela se manifesta?
A nefropatia por IgA pode se apresentar de formas diferentes. A mais chamativa é o sangue visível na urina, que aparece durante ou logo após uma infecção. Mas muitas pessoas descobrem a doença por acaso, num exame de rotina que mostra hematúria microscópica e proteinúria.
Outros sinais incluem pressão arterial elevada e, em casos mais avançados, queda na função renal com creatinina elevada.
Quando procurar um nefrologista?
Sempre que houver sangue na urina — seja visível ou detectado em exame — é indicado investigar. Um nefrologista é o especialista indicado para diferenciar causas renais das causas urológicas e conduzir a investigação correta.
O diagnóstico definitivo da nefropatia por IgA é feito pela biópsia renal, que permite identificar os depósitos de IgA no glomérulo. Nem todo caso precisa de biópsia imediatamente — isso depende da intensidade da proteinúria, da função renal e de outros fatores — mas a avaliação especializada é sempre o ponto de partida.
Como é o tratamento?
O tratamento depende do perfil de cada paciente. Casos leves, com função renal preservada e proteinúria baixa, podem ser acompanhados com medicamentos protetores do rim (como os bloqueadores do sistema renina-angiotensina e inibidores do SGLT2) e controle da pressão arterial. Já os casos com proteinúria significativa ou queda da função renal podem exigir imunossupressão — e essa decisão deve ser individualizada.
Uma boa notícia: os últimos anos trouxeram avanços importantes no tratamento da nefropatia por IgA. Novas terapias foram aprovadas com resultados promissores para redução da proteinúria e proteção da função renal a longo prazo.
O prognóstico é bom?
Depende. A maioria dos pacientes evolui de forma estável por muitos anos. Uma parcela, no entanto, progride para doença renal crônica avançada — especialmente aqueles com proteinúria persistente, hipertensão mal controlada e alterações histológicas mais graves na biópsia.
Por isso o acompanhamento regular não é opcional. Não porque a doença seja necessariamente grave — mas porque o controle ativo é o que evita que ela evolua.
Se você tem sangue na urina ou foi orientado a procurar um nefrologista por exames alterados, não adie a avaliação. Diagnóstico precoce muda o prognóstico.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Cada caso é único e deve ser avaliado por um especialista.





